Por que é tão difícil desenvolver autocompaixão e amor próprio na vida adulta?
Muitas vezes crescemos ouvindo críticas, cobranças e vivendo em ambientes onde nossos sentimentos não foram validados. Por isso, aprendemos a sermos exigentes, duros e até cruéis conosco. Sem perceber, entramos em ciclos de autossabotagem, baixa autoestima e excesso de autocrítica.
No entanto, é fundamental entender que ninguém nasce se odiando. Essa desconexão com o amor próprio é algo aprendido – e, felizmente, também pode ser desaprendido. A arteterapia surge justamente como um caminho seguro e gentil para essa reconexão consigo, porque trabalha não apenas o pensamento, mas também as emoções, o corpo e a expressão simbólica.
Como a arteterapia ajuda a construir autocompaixão e amor próprio
Diferente de terapias focadas apenas na fala, a arteterapia convida você a se expressar de forma simbólica, sensorial e não verbal. Isso significa acessar suas emoções por meio de cores, formas, linhas, texturas e materiais diversos.
De acordo com Ciornai (1994), o processo criativo em arteterapia permite acessar conteúdos inconscientes de maneira segura, favorecendo o acolhimento das próprias fragilidades e o fortalecimento interno.
Portanto, quando você cria, não apenas elabora aquilo que sente, como também aprende a olhar para si com mais compreensão, menos julgamento e, principalmente, mais amor.
Além disso, estudos como o de Silva Jardim et al. (2020) demonstram que práticas artísticas e expressivas favorecem o desenvolvimento da autocompaixão, além de reduzir significativamente o estresse e a ansiedade.
Benefícios da arteterapia para quem busca desenvolver autocompaixão
✔ Aumento da aceitação de si mesmo
✔ Redução da autocrítica e do julgamento interno
✔ Fortalecimento da autoestima de forma genuína
✔ Desenvolvimento de uma relação mais amorosa consigo
✔ Redução de ansiedade e estresse gerados pela autocobrança
✔ Criação de uma nova narrativa interna, mais gentil e compassiva
Como funciona esse processo na prática?
Durante uma sessão de arteterapia, você é convidado a utilizar materiais como papel, tintas, argila, colagens ou qualquer outro elemento que possibilite a livre expressão.
Dessa forma, o que vive dentro de você começa a ganhar forma, cor e textura. Assim, conteúdos emocionais, pensamentos e sensações que, muitas vezes, estão adormecidos ou reprimidos, podem ser expressos com segurança.
Além disso, o processo não exige nenhuma habilidade artística. Afinal, o objetivo não é criar uma obra bonita, mas sim viver uma experiência de conexão, escuta e acolhimento de si.
Ao refletir sobre aquilo que criou, você inicia um movimento interno muito poderoso: começa a enxergar a si mesmo de forma mais amorosa, com mais empatia, compreensão e respeito.
Como a arte atua no fortalecimento do amor próprio
A arte tem o poder de tornar visível aquilo que muitas vezes não conseguimos traduzir em palavras. Portanto, quando você desenha, pinta, modela ou cria, abre espaço para olhar para si de outro jeito – não mais apenas pelo olhar da crítica, mas sim pelo olhar da aceitação.
Durante esse processo, percebe que, assim como sua criação não precisa ser perfeita, você também não precisa ser. Na verdade, é justamente nas imperfeições que mora sua beleza, sua singularidade e sua potência.
Portanto, ao reconhecer suas partes vulneráveis, seus talentos esquecidos e até suas dores, você começa a construir uma relação mais amorosa e compassiva consigo.
Atividades e vivências arteterapêuticas para começar sozinho
Se você sente vontade de experimentar, aqui estão algumas propostas simples, mas muito potentes, que você pode fazer em casa. No entanto, é importante lembrar que, quando realizadas dentro de um processo conduzido por um arteterapeuta, essas vivências se tornam ainda mais profundas, seguras e transformadoras.
1. Desenho do autocuidado
Pegue folhas, lápis ou canetinhas. Desenhe, escreva ou represente tudo o que te faz bem, tudo o que te cuida, te nutre e te acolhe.
2. Carta visual para si mesmo
Em vez de escrever, faça uma carta com imagens, colagens, símbolos e cores que representem uma mensagem de amor, carinho e incentivo para você mesmo.
3. Espelho simbólico
Desenhe um espelho na folha. No centro, desenhe ou cole elementos que representam quem você é além das críticas e exigências: suas qualidades, seus talentos, suas potências e sua essência.
4. Argila do acolhimento
Se tiver argila ou massinha, modele uma forma que represente cuidado, segurança ou acolhimento. Pode ser uma casinha, um coração, uma concha, ou qualquer coisa que faça sentido pra você.
5. Círculo do amor próprio
Desenhe um círculo e preencha-o com cores, formas, texturas, rabiscos ou palavras que expressem como seria um espaço interno onde você se sente seguro, amado e aceito exatamente como é.
Por que fazer com um arteterapeuta é diferente?
Quando fazemos esses exercícios sozinhos, eles já têm um grande valor – promovem autocuidado, bem-estar e momentos de reconexão. Porém, no setting arteterapêutico, o processo é muito mais profundo.
O arteterapeuta não só acolhe e guia o processo, como também ajuda na interpretação simbólica, propõe reflexões que talvez você não faria sozinho e segura o espaço emocional de forma ética e segura. Isso permite que traumas sejam acessados de forma cuidadosa e que o desenvolvimento da autocompaixão se torne algo consistente, não apenas pontual.
Conclusão
Desenvolver amor próprio e autocompaixão não é um destino, mas sim um caminho. E, na arteterapia, esse caminho se constrói com cores, formas, texturas e símbolos que te ajudam a lembrar quem você é de verdade – muito além da autocrítica, das cobranças e dos padrões externos.
Permita-se começar. A cada rabisco, cada colagem, cada pintura ou modelagem, você dá um passo a mais em direção a um relacionamento mais amoroso, gentil e compassivo consigo.
Ciornai, S. (1995). Ciornai, S. (1995). Arte-terapia: o resgate da criatividade na vida. In M. M. M. J Carvalho (Org.), A arte cura? Recursos artísticos em psicoterapia (pp. 59-63). Campinas, SP: Editorial Psy II.
Rogers, N. (2012). The Creative Connection: Expressive Arts as Healing. Science & Behavior Books.
Silva Jardim, A. et al. (2020). Art Therapy for Emotional Self-Regulation: A Review. Journal of Aging Studies.
Martins, D. (2024). Arte‑Terapia, Criatividade e Simbolismo. Editora Psique.
“The power of art therapy in developing self‑compassion” – artigo online publicado pelo Greater Chicago Art Therapy Institute, que explica como a arteterapia ajuda a criar imagens de si mesmo que permitem romper padrões mentais e desenvolver autocompaixão
Fernanda Gomes Canan (Nands) é arteterapeuta em formação e analista junguiana, criadora do projeto Terapia da Arte. Desenvolve materiais terapêuticos acessíveis e sustenta atendimentos a valor social por meio da terapia junguiana.
A criatividade não é um dom, é uma habilidade – e ela pode ser resgatada
Desde a infância, somos naturalmente criativos. Entretanto, ao longo da vida, essa criatividade muitas vezes se perde. Afinal, as responsabilidades, as pressões e o excesso de autocobrança acabam sufocando o espaço do lúdico.
No entanto, é fundamental entender que criatividade não é um dom reservado para poucos. Pelo contrário, ela é uma habilidade natural e universal. A arteterapia, portanto, surge como um caminho seguro, sensível e potente para resgatar essa habilidade que, apesar de adormecida, nunca deixou de existir.
De acordo com Ciornai (1994), a arteterapia proporciona um ambiente livre de julgamentos, onde o ato de criar não é voltado para o resultado, mas sim para o processo. Assim, ela oferece uma oportunidade de reconexão com quem você é – de forma espontânea e autêntica.
Por que perdemos a criatividade na vida adulta?
Esse é um fenômeno bastante comum. À medida que crescemos, somos condicionados a priorizar a produtividade, os resultados e as obrigações. Como consequência, a espontaneidade vai sendo deixada de lado.
Além disso, muitas pessoas crescem ouvindo críticas como “você não sabe desenhar” ou “você não leva jeito para isso”. Por isso, formam crenças limitantes que bloqueiam a expressão criativa. Contudo, a criatividade não tem relação com estética ou técnica. Na verdade, ela tem muito mais a ver com liberdade, conexão consigo e coragem para se expressar sem medo.
A arteterapia, portanto, oferece um espaço seguro onde é possível criar sem julgamentos, sem cobranças e, principalmente, sem a necessidade de agradar a ninguém.
O que a ciência e a arteterapia dizem sobre resgatar a criatividade
Natalie Rogers (2012), criadora da abordagem Expressive Arts Therapy, reforça que a criatividade é uma expressão natural e vital de todo ser humano. Segundo ela, quando nos conectamos genuinamente com nossos sentimentos, pensamentos e sensações, a criatividade flui de maneira espontânea e libertadora.
Além disso, pesquisas como a de Silva Jardim et al. (2020) comprovam que atividades artísticas realizadas de forma livre e espontânea – mesmo sem pretensões estéticas – são capazes de gerar bem-estar emocional, reduzir níveis de estresse, melhorar a autoestima e, ainda, estimular a neuroplasticidade cerebral.
Daniela Martins (2024) complementa que a arteterapia funciona como uma ponte entre o mundo interno e o externo. Através dos símbolos, das cores e das formas, podemos acessar conteúdos inconscientes, ressignificar nossas vivências e, consequentemente, desbloquear processos criativos que estavam adormecidos.
Como a arteterapia resgata sua criatividade na prática
✔ Desbloqueio da expressão espontânea
Ao utilizar materiais como papel, tinta, argila ou colagem, você ativa áreas do cérebro responsáveis pela imaginação, pela empatia e pela capacidade de criação. E, justamente por não haver um padrão estético, o processo se torna leve, livre e profundamente transformador.
✔ Afastamento do julgamento
Na arteterapia, não existe certo ou errado. Portanto, você não precisa se preocupar se “está bonito” ou “se tem técnica”. O foco é na experiência, não no resultado. Isso permite que você se reconecte com sua criatividade de forma genuína e sem medo.
✔ Acesso ao inconsciente e reorganização interna
Enquanto você cria, seu inconsciente trabalha. Afinal, o ato de desenhar, pintar, colar ou modelar é uma forma poderosa de dar voz a emoções e pensamentos que, muitas vezes, nem sabemos que carregamos. Isso abre espaço para reorganizar sua vida emocional e, ao mesmo tempo, ativar processos criativos naturais.
Etapas para começar a resgatar sua criatividade com arteterapia
1. Crie um ambiente acolhedor
Escolha um espaço onde você se sinta confortável. Não precisa ser perfeito – pode ser sua mesa de trabalho, um cantinho na sala ou até mesmo o chão, com uma toalha aberta. O mais importante é que seja um espaço livre de julgamentos.
2. Separe materiais acessíveis
Você não precisa gastar muito. Papel, lápis, canetinhas, tintas simples, revistas velhas para colagem, tesoura e cola já são mais do que suficientes. Se quiser, pode incluir também argila, tecidos ou qualquer material que te inspire.
3. Comece sem expectativas
Permita-se criar sem pensar no que vai sair. Pinte, desenhe, rabisque, rasgue, cole. O objetivo não é fazer arte bonita – é simplesmente se permitir estar presente no ato de criar.
4. Observe e reflita sobre o processo
Depois de criar, olhe para sua obra com curiosidade, não com crítica. Pergunte-se: O que eu senti enquanto criava? O que essa imagem me provoca? Existe alguma mensagem aqui para mim?
5. Transforme isso em prática regular
Embora uma única experiência já traga benefícios, é na constância que a transformação acontece. Portanto, sempre que puder, reserve um momento na sua semana para se encontrar com você mesmo através da arte.
Benefícios de usar arteterapia para resgatar a criatividade
✔ Diminuição do estresse e da ansiedade
✔ Aumento da autoestima e da confiança pessoal
✔ Desenvolvimento da inteligência emocional
✔ Melhora na resolução de problemas e na flexibilidade mental
✔ Fortalecimento da conexão consigo mesmo
✔ Resgate da espontaneidade, da alegria e da leveza na vida adulta
Resgatar sua criatividade na vida adulta é, antes de tudo, um ato de autocuidado. É reconhecer que, por trás das obrigações, das responsabilidades e da correria, existe uma parte sua que ainda deseja brincar, experimentar e criar.
Portanto, se dê esse presente. Você não precisa ser artista, não precisa dominar nenhuma técnica. Você só precisa se permitir viver o processo. Porque, na arteterapia, o que vale não é o que você faz – é o que você sente, descobre e transforma dentro de você enquanto faz.
Fontes e referências
CIORNAI, S. (1994). Arte terapia Gestáltica: Um caminho para a expanção da consciência. In: Revista de Gestalt nº 3, publicação do Departamento de Gestalt Terapia do Instituto Sedes Sapientiae, São Paulo.
Rogers, N. (2012). The Creative Connection: Expressive Arts as Healing. Science & Behavior Books.
Silva Jardim, A. et al. (2020). Contributions of art therapy to promoting the health and quality of life of older adults. Journal of Aging Studies.
Martins, D. (2024). Arte‑Terapia, Criatividade e Simbolismo. Editora Psique.
“Arteterapia: a arte como instrumento no trabalho do Psicólogo” (Reis, 2014), disponível em PDF no ResearchGate.
Fernanda Gomes Canan (Nands) é arteterapeuta em formação e analista junguiana, criadora do projeto Terapia da Arte. Desenvolve materiais terapêuticos acessíveis e sustenta atendimentos a valor social por meio da terapia junguiana.
Como se tornar um arteterapeuta: Você já sentiu que a arte pode curar? Que desenhar, pintar, escrever ou simplesmente brincar com formas e cores pode abrir espaços que as palavras não alcançam? A arteterapia nasce justamente desse encontro entre expressão artística e cuidado emocional. É uma prática que vem ganhando cada vez mais visibilidade – e despertando o interesse de pessoas que buscam um caminho mais sensível, profundo e transformador.
Se você está aqui, talvez também tenha sentido esse chamado. Neste post, vou te contar como é possível se tornar um arteterapeuta, o que é preciso estudar, onde atuar, e como descobrir qual linha combina mais com você.
O que é necessário para atuar com arteterapia?
Para se tornar um arteterapeuta, é necessário fazer uma formação específica em arteterapia. No Brasil, existem cursos de pós-graduação e especialização que duram em média dois anos, com aulas teóricas e práticas, estágios supervisionados e um trabalho de conclusão. Essas formações geralmente exigem que a pessoa já tenha uma graduação em áreas como Psicologia, Artes, Pedagogia, Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia ou áreas da saúde e humanas em geral.
Alguns cursos são mais abertos, inclusive aceitando estudantes e profissionais de outras áreas, desde que tenham afinidade com o trabalho terapêutico e artístico. É importante buscar uma formação reconhecida por associações sérias, como a UBAAT (União Brasileira de Associações de Arteterapia) ou as associações regionais. Essas instituições ajudam a garantir a ética e a qualidade do trabalho profissional, além de oferecerem suporte, congressos e espaços de troca entre arteterapeutas.
Qual linha escolher?
A arteterapia pode seguir diferentes linhas teóricas, e essa é uma das riquezas da profissão. As mais conhecidas são a junguiana e a freudiana, que se baseiam em conceitos da psicologia profunda, como inconsciente, arquétipos e simbolismo. Também existem abordagens mais integrativas, transpessoais ou ligadas ao pensamento sistêmico e humanista, que olham para o ser humano de forma mais ampla, incluindo espiritualidade, ancestralidade e corpo.
O ideal é buscar a linha com a qual você mais se identifica, tanto intelectualmente quanto emocionalmente. Algumas pessoas escolhem a linha depois de já terem feito terapia, outras se encantam ao conhecer os autores e experiências durante o curso. E tudo bem não saber de imediato. A arteterapia é um caminho vivo, que vai se revelando conforme a gente caminha.
Onde um arteterapeuta pode atuar?
Um dos grandes diferenciais da arteterapia é a sua versatilidade. Arteterapeutas podem atuar em consultórios particulares, clínicas multidisciplinares, escolas, hospitais, instituições psiquiátricas, projetos sociais, ONGs, casas de acolhimento, empresas e até dentro de contextos jurídicos e comunitários. É possível trabalhar tanto com sessões individuais quanto com grupos, e os públicos atendidos são diversos: crianças, adolescentes, adultos, idosos, pessoas com deficiência, vítimas de violência, entre outros.
Em todos esses espaços, a arte funciona como uma ponte entre o interno e o externo, entre aquilo que a pessoa sente e aquilo que ela pode transformar. O arteterapeuta não interpreta a obra do paciente de forma fria, mas sim acompanha a criação como quem caminha junto, oferecendo acolhimento, escuta e possibilidade de elaboração simbólica.
Precisa ser bom em arte?
Essa é uma dúvida muito comum – e a resposta é: definitivamente, não! A arteterapia não é sobre fazer obras bonitas ou técnicas perfeitas. É sobre expressão. Sobre dar forma ao que se sente, mesmo que seja torto, confuso, feio ou abstrato. Na verdade, quanto menos preocupação estética a pessoa tiver, mais livre ela pode se sentir para criar.
O papel do arteterapeuta não é julgar ou ensinar arte, mas sim facilitar um espaço seguro onde a criação possa acontecer com autenticidade. O objetivo não é o resultado final, e sim o processo. O que a pessoa sente enquanto cria, o que descobre no caminho, o que expressa sem precisar explicar. E isso pode acontecer com lápis, tinta, argila, tecido, escrita, corpo… as possibilidades são infinitas.
Vale a pena?
Se você sente que tem uma escuta sensível, que se conecta com a arte como forma de expressão, e que gostaria de ajudar outras pessoas a se reconectarem com sua própria criatividade e emoções, então sim – vale muito a pena. Ser arteterapeuta é acompanhar processos muitas vezes delicados, mas também profundamente humanos, potentes e transformadores.
É uma jornada de constante aprendizado, que envolve estudo, prática, supervisão e também um mergulho em si mesmo. Porque, antes de tudo, um bom arteterapeuta é alguém que também se permite ser tocado pela arte e pela vida. Que entende que cuidar do outro passa também por se cuidar.
Esse blog nasceu do meu amor por essa profissão e da vontade de compartilhar esse caminho enquanto ainda estou em formação. Se você também sente esse chamado, fica por aqui. Tem muita coisa linda que a gente ainda pode construir – com tinta, papel, argila, palavras… e coração. ✨
Fernanda Gomes Canan (Nands) é arteterapeuta em formação e analista junguiana, criadora do projeto Terapia da Arte. Desenvolve materiais terapêuticos acessíveis e sustenta atendimentos a valor social por meio da terapia junguiana.